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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cícero assume compromisso de implantar Hospital do Pet em Guarabira

A causa animal ganhará um reforço histórico e estrutural na região do Brejo paraibano. O candidato a governador Cícero Lucena assumiu, em seu plano de governo, o compromisso de implantar uma rede pública, gratuita e interiorizada de saúde animal na Paraíba, tendo Guarabira entre as cidades-polo contempladas com a instalação de um Hospital do Pet.

Inspirado no modelo implantado por Cícero à frente da Prefeitura de João Pessoa, o equipamento será voltado à promoção do bem-estar animal e ao apoio aos protetores independentes. Em Guarabira, a unidade deverá funcionar como referência regional, com estrutura para consultas, exames, cirurgias e atendimento de urgência.

Além do Hospital do Pet, o plano de governo prevê a circulação de castramóveis itinerantes para a realização de mutirões contínuos de castração, vacinação e microchipagem. A proposta também inclui parcerias para o cofinanciamento de unidades veterinárias municipais e o fortalecimento das redes de proteção animal em diferentes regiões do estado.

Para Cícero Lucena, levar esse tipo de serviço para o interior significa transformar uma demanda cada vez mais presente na sociedade em política pública permanente. “O cuidado com os animais precisa ser política de Estado, garantindo estrutura onde as pessoas realmente vivem”, destaca a proposta.

Durante passagem por Guarabira, Cícero destacou que o cuidado com os animais deixou de ser uma questão restrita aos protetores e passou a integrar uma agenda de responsabilidade pública, saúde e bem-estar coletivo. A proposta de implantação do Hospital do Pet na cidade também responde a uma demanda apresentada por ativistas da causa animal e por profissionais da imprensa guarabirense, que têm chamado atenção para a necessidade de ampliar e interiorizar os serviços de atendimento veterinário.

Com o compromisso, Guarabira passa a ocupar posição estratégica na política estadual de proteção e saúde animal, beneficiando não apenas os moradores do município, mas também famílias, protetores e animais de toda a região do Brejo. A iniciativa reforça a proposta de levar para o interior serviços públicos que, historicamente, ficaram concentrados nos grandes centros e amplia a presença do Estado em uma área que mobiliza cada vez mais a sociedade paraibana.

Carlos Lupi anuncia rompimento do PDT com Lucas Ribeiro e estuda lançar Rafaela Camaraense ao Governo ou apoiar Cícero

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou o rompimento do partido com o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (Progressistas) após o anúncio de Lígia Feliciano como candidata a vice-governadora. A declaração foi dada em entrevista à Rádio CBN Paraíba, na manhã desta quarta-feira (12).

Rafaela Camaraense, ex-secretária de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade, havia sido indicada pelo PDT para ocupar a vaga de vice na chapa de Lucas. Segundo Lupi, a escolha de outro nome foi interpretada pelo partido como uma decisão de afastar a legenda da composição.

“Eu recebo com muita tranquilidade mas entendendo que foi um recado direto de rejeição ao meu partido. Porque em nenhum momento se foi discutido e colocado o nome de Lígia como candidata em nenhuma reunião. Eu pelo menos não participei de nenhuma conversa que tivesse esse assunto levantado.”

O dirigente também reforçou que o partido considera que o rompimento partiu do grupo de Lucas Ribeiro, após a escolha de Lígia Feliciano para a vaga de vice.

“Eles que romperam com a gente. Quando eles simplesmente ignoram o nome de Rafaela eles não estão querendo o PDT. Diz o ditado: quando um não quer, dois não brigam. Então vamos seguir o nosso caminho.”

PDT pode lançar Rafaela ou apoiar Cícero

Lupi afirmou que, diante da decisão, o PDT passou a discutir novos caminhos para a eleição. Entre as possibilidades estão o lançamento de Rafaela Camaraense como candidata ao Governo da Paraíba, ou o apoio ao ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB).

“Nós estamos conversando com Rafaela. Não é simples porque ela não estava com esse projeto na cabeça dela e a tendência maior é ficar com o Cícero pela excelente relação que tem conosco há muitos anos, já estamos na base dele da prefeitura.”

O prazo para registro das candidaturas termina neste sábado (15). Até lá, o PDT deverá definir se lança Rafaela Camaraense ao Governo da Paraíba ou formaliza apoio a Cícero Lucena. 


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Crise entre Brasil e Argentina é ponto mais baixo de 40 anos de boa relação

O rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, determinado pelo Itamaraty nesta terça-feira (4) em resposta aos ataques do presidente Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é a mais grave crise entre dois países que trabalharam para construir fortes laços nas últimas quatro décadas.

A mais recente derrocada entre os vizinhos teve início em 2019, quando o ex-presidente de esquerda Alberto Fernández assumiu o poder no momento em que Jair Bolsonaro terminava seu primeiro ano de mandato no Palácio do Planalto.

Desde então, houve apenas um ano de trégua, no qual os aliados Fernández e Lula comandaram suas respectivas nações simultaneamente. Mas, mesmo nesse período de desavenças políticas iniciado há sete anos, nunca a relação entre Brasil e Argentina esteve em um ponto tão baixo quanto nos últimos dias.

A tensão teve início em 25 de julho, quando Milei chamou Lula de ladrão e presidiário durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo — um combo que uniu 1. ofensa ao presidente; 2. no evento de um adversário; 3. em solo nacional.

A convocação dos embaixadores da Argentina e do Brasil no dia seguinte não foi suficiente, já que o ultraliberal reafirmou os ataques no último domingo (2), em entrevista a uma emissora argentina. Segundo membros do governo Lula, as relações se darão apenas com os encarregados de negócios nos dois países enquanto os ataques persistirem.

“Isso não tem precedente pelo menos desde o século 19”, afirma Miriam Saraiva, professora de relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). “Quando um país fica sem embaixador, precisa negociar com o segundo escalão. A relação fica mais limitada à manutenção do que já está em funcionamento, e iniciativas novas não conseguem ir para frente.”

O ineditismo da medida não significa que a convivência entre os dois países sempre tenha sido pacata. A história dessa relação, aliás, é marcada por rivalidades até o começo dos anos 1980 —incluindo conflitos armados quando o Brasil era um império e a Argentina ainda não havia se constituído como nação.

Mais recentemente, no século 20, as disputas se davam principalmente pela influência regional. “No início do século 20, por exemplo, houve a chamada Crise dos Encouraçados, a compra de armamentos navais por Argentina e Brasil que quase incorreu no risco de uma corrida armamentista entre os dois países”, diz Tullo Vigevani, cientista político e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Isso mudou na década de 1980, e os dois tratados que simbolizam esse novo momento são um acordo para uso pacífico da energia nuclear, primeiro passo para a criação da Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares), em 1991; e, principalmente, a Declaração do Iguaçu, assinada em 30 de novembro de 1985 pelos então presidentes José Sarney (Brasil) e Raúl Alfonsín (Argentina) e embrião do que seria o Mercosul.

Isso não significa que não tenha havido desacordos ao longo desse percurso mais recente. “As tensões nas relações bilaterais entre países sempre existiram; elas são inerentes ao convívio internacional. Assim como existe alinhamento e acordo, existe o conflito e a disputa”, diz Leonardo Granato, professor de administração pública na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Algumas das principais disputas ocorreram em 1994, quando, sob o governo Itamar Franco, o Brasil pleiteou de forma mais explícita um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU; e em 1999, quando o presidente argentino Carlos Menem enviou uma carta ao então homólogo americano, Bill Clinton, pedindo a entrada de seu país como “membro associado” da Otan, a aliança militar ocidental.

Em nenhum momento, porém, a crise chegou ao ponto de rebaixar as relações — mesmo quando os dois países se desencontravam ideologicamente, o que não era um pré-requisito para a boa convivência. Isso mudou com a nova onda de direita na região.

Após Fernández vencer as primárias, em agosto de 2019, Bolsonaro afirmou que poderia haver uma onda de migrantes no Rio Grande do Sul “se essa esquerdalha” ganhasse, ao que o argentino respondeu afirmando que o ex-presidente brasileiro era “racista, misógino e violento”.

Quando Fernández por fim venceu as eleições, em outubro, Bolsonaro disse que a Argentina havia escolhido mal seu representante. Dois dias após o pleito, o então deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilhou um meme que colocava lado a lado uma foto dele mesmo segurando um fuzil e do filho de Fernández, Estanislao Fernández, que é drag queen.

“O que a gente viu nos últimos oito anos é inédito nessas quatro décadas. São presidentes que não tem o menor desejo de trabalhar juntos, de manter encontros de alto nível. Isso não é tão essencial para a manutenção das relações — as questões práticas do dia a dia, o comércio, investimentos, se mantém”, afirma Paulo Velasco, professor de política internacional da UERJ. “Mas você não tem um impulso que ajude a catalizar projetos em um momento desafiador para a América do Sul.”


Folhapress

 
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