A ação do Ministério Público de Goiás contra o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), por suposto uso irregular de policiais militares como seguranças particulares, acendeu um alerta também na Paraíba.
O MP goiano questiona na Justiça a utilização de policiais na segurança pessoal de Caiado e de familiares, apontando possível improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e lesão ao erário. O caso ganhou repercussão nacional após reportagem da Folha de S.Paulo revelar que a estrutura envolveria dezenas de policiais e alto custo mensal aos cofres públicos.
Na Paraíba, a situação levanta comparação direta com o ex-governador João Azevêdo (PSB), que deixou o Governo em abril e também passou a contar com segurança feita por policiais militares, custeada pelo Estado.
A proteção de João ocorre com base em lei sancionada ainda durante sua gestão, às vésperas de deixar o Palácio da Redenção. A norma prevê segurança pessoal para autoridades e ex-autoridades, incluindo ex-governadores, por até dois anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
O ponto sensível é que João sancionou uma lei que, na prática, passou a beneficiá-lo pouco tempo depois de deixar o cargo. Agora, fora do Governo e já em movimentação política pelo Estado, o ex-governador conta com policiais pagos pelo contribuinte para sua segurança pessoal.
O caso de Goiás mostra que o uso de efetivo policial para proteção de ex-governadores pode ser questionado pelos órgãos de controle, especialmente quando envolve agentes públicos fora do exercício do mandato.
Na Paraíba, a pergunta fica no ar: se o Ministério Público de Goiás foi à Justiça para questionar a segurança de Caiado, quem vai analisar, com o mesmo rigor, a estrutura colocada à disposição de João Azevêdo?
Fonte: poderpb.com.br








