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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Margarida Maria Alves, 43 anos de martírio: do sangue de Margarida, Margaridas! Veja imagens

Margarida Maria Alves foi assassinada em 12 de agosto de 1983. Seu assassinato faz parte de uma série de violências e violações do Estado e de grupos privados na década de 80, que tinham a intenção de interferir na transição provocando medo e tentando constranger a luta por direitos de trabalhadoras/es e dos setores mais vulneráveis da sociedade. Por lutar por direitos, foi assassinada em troca de 1,5 milhão de cruzeiros, como afirmado por um dos algozes do atentado à advogada Tereza Braga apenas duas semanas depois da execução da líder camponesa. 

A mando de latifundiários escravocratas das usinas de cana da Paraíba, um jagunço a assassinou à queima roupa, a primeira mulher a se tornar presidenta de um Sindicato de Trabalhadores Rurais, o de Alagoa Grande, na Paraíba. Mulher corajosa e destemida, profundamente solidária com os camponeses e as camponesas. Margarida não arredou o pé da luta por direitos dos trabalhadores rurais. Diante das ameaças de morte, Margarida, de cabeça erguida e com língua afiada, sempre dizia: “Não fujo da luta. Prefiro morrer na luta do que morrer de fome.”

Margarida foi uma mulher nordestina, trabalhadora, filha de pai indígena e mãe negra. Liderança de um movimento que herdou as lutas camponesas anteriores à ditadura e que formou as bases para pensar a democracia no campo brasileiro. 

Há 43 anos, um episódio deixou profundas marcas na luta pela terra no Nordeste e no país: o assassinato da trabalhadora rural e sindicalista Margarida Maria Alves, na Paraíba, em 12 de agosto de 1983.

Margarida Alves foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB). Por sua defesa intransigente da vida e dos direitos, Margarida se transformou em símbolo de resistência contra a violência no campo e os desmandos das elites latifundiárias. Sua vida foi testemunho profético de luta pelos direitos e pela Reforma Agrária.

Além de dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Margarida era uma das fundadoras do CENTRU (Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural).

Margarida não foi sepultada, mas semeada na mãe terra e tornou-se milhões de Margaridas na luta, na Marcha das Margaridas, em Acampamentos, Ocupações, Assentamentos e em todas as lutas por direitos sociais pelo Brasil afora. A Usina Tanque, que violentava a dignidade dos trabalhadores, apodreceu e Margarida segue florindo e inspirando milhares de lutas. O Instituto Penha e Margarida (IPEME) e o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais, de Alagoa Grande, na Paraíba, seguem na luta por direitos. Os violentos não sabiam que Margarida era semente.

EVENTO REALIZADO EM FRENTE AO MUSEU CASA MARGARIDA MARIA ALVES














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