Os presidentes da União Europeia e do Mercosul assinaram neste sábado (17) em cerimônia em Assunção, no Paraguai, o acordo de livre-comércio entre os dois blocos, que cria uma das maiores zonas comerciais do mundo e abre um novo capítulo nas relações comerciais entre a América do Sul e a Europa. O Brasil foi representado na cerimônia pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o pacto “manda uma mensagem forte ao mundo” ao priorizar o comércio justo e a cooperação internacional. Segundo ela, o acordo deve gerar empregos, oportunidades e prosperidade nos dois continentes.
“Estamos criando a maior zona de livre-comércio do mundo. Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas, e parceria longa em vez de isolamento. Acima de tudo, queremos entregar benefícios às nossas populações e aos nossos comércios”, declarou.
O presidente paraguaio Santiago Peña, que atualmente comanda o Mercosul, abriu o evento e agradeceu aos países envolvidos e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não foi à cerimônia, como um dos principais impulsionadores do processo.
“Em seu nome, saúdo a todos os líderes do Mercosul”, disse Peña. Segundo ele, o acordo representa um caminho para “deixar para trás a história de conflitos” que marcou o continente sul-americano e abrir uma etapa de “mais humanidade e melhores dias para o nosso povo”.
“Este é um acontecimento histórico. O acordo mostra que o caminho do diálogo e da fraternidade é o único possível. Não posso deixar de agradecer ao presidente Lula. Não chegaríamos até aqui sem Lula”, afirmou.







No evento, também estão presentes os presidentes Javier Milei [Argentina], Yamandú Orsi [Uruguai], Rodrigo Paz [Bolívia], e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A parceria dará origem à maior zona de livre-comércio do mundo. Para a União Europeia, trata-se do maior acordo já firmado em termos de redução tarifária, com a retirada de cerca de 4 bilhões de euros em impostos sobre suas exportações.
Atualmente, os países do Mercosul aplicam tarifas elevadas sobre produtos europeus, como 35% para peças automotivas, 28% para produtos lácteos e 27% para vinhos.
A expectativa do governo brasileiro é que o acordo promova a redução ou a eliminação gradual das tarifas de importação e exportação entre os países envolvidos.
Em 2024, a União Europeia e o Mercosul projetam um comércio bilateral de mercadorias dividido de forma equilibrada, no valor de 111 bilhões de euros. As exportações europeias são majoritariamente compostas por máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto os países do Mercosul concentram suas vendas externas em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.
Antes da assinatura, os embaixadores da União Europeia haviam dado aprovação provisória ao acordo, na sexta-feira (9), abrindo caminho para a formalização do pacto.
O entendimento é considerado o maior acordo comercial já celebrado pelo bloco europeu e foi concluído após mais de 25 anos de negociações e meses de articulações para garantir o apoio dos principais Estados-membros, segundo diplomatas e fontes da UE.
A Comissão Europeia, que finalizou as negociações há um ano, e países como Alemanha e Espanha defendem que o acordo é estratégico para a abertura de novos mercados.
O objetivo é compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência econômica da China, além de assegurar o acesso a minerais considerados essenciais para a transição industrial e energética europeia.
O que o acordo prevê?
O acordo estabelece uma zona de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Pelos cálculos dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a parceria integrará um mercado com PIB combinado de US$ 22 trilhões.
Em outra frente, o tratado prevê reduzir tarifas de produtos importados pelo Mercosul e pela Europa, o que poderá baratear itens de saúde e alimentação no Brasil. Entre os produtos beneficiados, estão medicamentos, máquinas industriais, veículos e fertilizantes.
A implementação dos benefícios será gradual, com prazo estimado de 8 a 12 anos. Paralelamente, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta um aumento no volume de importações.
do R7








